Perfil Selecta Club: Débora Malacar

Perfil Selecta Club: Débora Malacar

 Para este Perfil Selecta Club, procuramos uma cantora da novíssima geração de talentos locais que vem dando o que falar. Débora Malacar tem 26 anos, é formada em medicina, mas vem sendo super reconhecida por ser a voz da banda Sonora Sambagroove. A banda está se preparando para representar o Brasil no festival Hay Espiritu, que acontecerá em setembro em Madri – além de, claro, fazer uma mini turnê pelo Velho Mundo. Conheça um pouco mais sobre Débora e sua jornada musical a seguir. 

Selecta Club – Como a música surgiu na sua vida?
Débora Malacar – A música esteve desde cedo presente em minha vida. Soava através do piano de meu avô paterno ou dos vinis pertencentes à mamãe e vovó. De Chico e Benito a Nelson Gonçalves e o Rei Roberto. Aos 5 anos ingressei na Central de Música, tradicional escola guiada pelo querido Maestro Maurício Gurgel, no centro da cidade. Lá, comecei a fazer parte do coral infantil e das aulas de teoria e linguagem musical, chegando, mais tarde, ao teclado e percussões finas.

Você é formada em Medicina e decidiu levar a música de forma profissional. Como foi fazer essa escolha e como conciliar as duas profissões?
Pra falar a verdade, o mais difícil foi não fazer essa escolha. Por me realizar nas duas profissões, a exclusão de uma delas era um dos meus maiores temores. E ainda é. Sigo exercendo a Medicina e a Música em concomitância, sempre com responsabilidade e dedicação a ambas. É difícil? Sim, o é. A mente é sempre a mil e às vezes o sono faz falta. Mas não o suficiente para fazer desistir. A chave de tudo é saber programar e administrar o tempo e as distintas atividades.

Atualmente, o Sonora Sambagroove está se preparando para shows na Europa. Como está sendo a preparação para esse novo passo?
Estamos ensaiando pra fazer bonito. Fomos um dos únicos grupos nordestinos selecionados a participar do Festival Espírito Mundo. Nos apresentaremos em Madri em Setembro, no Hay Espiritu. Aproveitando o ensejo, transformaremos essa oportunidade em uma mini-turnê. O material aprovado foi baseado no EP que está para ser lançado dentro em breve, virtualmente e materializado. Mas o trabalho não se resume a ele. Estamos produzindo bastante e pretendemos colocar muito mais da composição da terra em nossos shows, que já conta com canções dos paraibanos Adeildo Vieira, Arthur Pessoa e Milton Dornellas, além das próprias, tudo adaptado e rearranjado com respeito e carinho.

Quais as suas maiores referências musicais?
É difícil apontar objetivamente. Gosto de escolher CD´s nas estantes das lojas meio que a esmo. Relanceio a capa, o título, as canções e seus compositores. Daí já dá pra ter idéia do que se trata. Se me interessar, levo sem pestanejar. Tenho grande paixão pelas vozes masculinas. Dentre elas, as de Chico Buarque, Jorge Mautner, Caetano, Djavan e João Donato são importantes referências. Das cantoras, me encantam absurdamente Clara Nunes, Gal, Elis, Rita Ribeiro e Dalva de Oliveira. Em geral, é música brasileira, sem restrições rítmicas, cantada com vivacidade e respeito às raizes. 

Existem planos e projetos musicais paralelos ao Sonora? O que mais podemos esperar da música de Débora Malacar?
No momento, a Sonora (Nildo Gonzalez, Fabiano Furmiga, Chico Limeira e Macaxeira Acioli) é minha jóia preciosa. Somos uma família escolhida que tem dado muito certo. É muito frutífero trocar influências com meus colegas de trabalho e achar um ponto de congruência influenciado pelas mais diversas referências. É o que torna o produto criativo, com um quê de experimentação. Além disso, trabalho em paralelo com o violonista Felippe Francis e o baterista Dennis Bulhões. Nossa diversão é desenterrar o Lado B da música brasileira, num repertório fino, escolhido a dedo. Tenho aprendido bastante. Quanto à composição autoral, ela existe, mas não madura o suficiente para pôr em estúdio. Ainda preciso de muita bagagem, dedicação e estudo para tal. As idéias estão engrenando e tomando forma no seu tempo.

Para ouvir os sons do Sonora Sambagroove, clique aqui.