18 março

Entrevista: Daniel Porpino

Entrevista: Daniel Porpino

Você com certeza já o viu em propagandas na televisão ou até mesmo nos informes do Governo do Estado. Mas o que nem todo mundo sabe é que Daniel Porpino é um dos nossos talentos promissores da nova geração do teatro local e está em cartaz com a peça Quincas (quartas e quintas, 20h, Teatro Piollin) – baeada no clássico A Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado – na qual pela primeira vez ele atua como diretor. Se você curte teatro, ou tem vontade de conhecer mais sobre, com certeza vai cutir a entrevista a seguir que fizemos com Daniel.

Selecta Club: Como foi sua incursão no teatro? Como tudo começou pra você nessa área?
Daniel Porpino: Minha primeira experiência teatral aconteceu em 2004 enquanto eu cursava a graduação em Publicidade e Propaganda no IESP. Integrei o grupo de Teatro amador TANAORA e atuei nos dois espetáculos deste grupo, Minha Vida, Nossas Vidas e O Pé da Árvore. Iniciei no Teatro amador por curiosidade e por perceber em mim um ímpeto artístico que ainda não tinha explorado. Até então eu nem imaginava a importância que o Teatro assumiria em minha vida.

SC:
Além de atuar em peças, você constantemente aparece em comerciais e agora nos informes do governo. Qual a diferença entre palco e câmeras, e qual você prefere?
DP: O trabalho do ator em publicidade não é artístico. É uma experiência interessante do ponto de vista técnico, saber lidar com a mediação da câmera, do microfone, além da objetividade do trabalho. Na publicidade o trabalho do ator está a serviço de uma marca, produto ou serviço. É completamente diferente dos trabalhos artísticos. A arte de representar, seja no Teatro ou no Cinema, é o que realmente me move, me cativa.

SC: Como está sendo a experiência de dirigir uma peça como Quincas?
DP: Em QUINCAS me percebo como um ator que está dirigindo. Essa é minha primeira experiência como diretor e estou muito feliz com a repercussão desta minha estreia na direção, mas busco manter um olhar de ator na cena. O ator é o único profissional indispensável ao Teatro. Apesar da importância dos outros artistas e técnicos envolvidos na arte teatral, é o ator e a atriz que encaram o público, que trocam suas presenças com a platéia. Não é a toa que na direção de QUINCAS optei por delegar ao elenco o poder de realizar variados elementos da cena. Os atores representam, cantam e tocam, movimentam o cenário, os adereços, multiplicam-se em diversos personagens, interagem com o público… Quero continuar me experimentando como um ator que dirige, mas sem deixar de lado meu trabalho de ator que interpreta. Certamente estarei no elenco da próxima montagem do Osfodidário.

SC: Para quem quer ingressar no teatro aqui em João Pessoa, qual o caminho a tomar?
DP: Acredito que o melhor caminho é combinar uma formação consistente aliada a boas referências. João Pessoa tem crescido nos últimos anos quanto à oferta de cursos e oficinas de Teatro. Claro que é preciso considerar a qualidade e a experiência das pessoas envolvidas nesse processo formativo. Um dos marcos deste crescimento foi a criação do Curso de Graduação em Teatro e do Curso de Especialização em Representação Teatral, ambos da UFPB. Muitos dos profissionais que estão renovando a cena paraibana foram formados nestes cursos e estão trabalhando com seriedade, formando novos grupos e realizando bons espetáculos.    

Quincas, do grupo Osfodidário, em cartaz todas as quartas e quintas no Teatro Piollin

 

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