12 novembro

Artistas paraibanos declaram amor e admiração por Benito Di Paula

Artistas paraibanos declaram amor e admiração por Benito Di Paula

Yuri Carvalho [Foto: Reprodução]

As dores de amor cantadas por Benito Di Paula, com rimas simples e refrões que colam na memória, já foram acusadas de cafonas por críticos exigentes da MPB. A despeito dos narizes torcidos, o cantor e compositor de Nova Friburgo (RJ) tornou-se o quarto maior vendedor de discos da história fonográfica do Brasil e hoje é considerado um dos grandes nomes do cancioneiro nacional. Prestes a completar 78 anos de idade, ele roda o país com a turnê “Fim de Papo”, que será apresentada ao público pessoense no próximo dia 22, a partir das 20h, no Teatro Pedra do Reino.

 

Entre 1970 e 1980, o autodidata Uday Vellozo (nome de cartório de Benito) gravou 35 discos e vendeu cerca de 60 milhões de cópias, com músicas que sempre estouravam nas rádios da época. Sucessos como “Charlie Brown”, “Sanfona Branca”, “Mulher Brasileira” e “Ah! Como eu Amei”, entre outros, estão marcados na memória afetiva dos brasileiros que viveram esse período – mesmo aqueles que ainda eram crianças, como é o caso do cantor Yuri Carvalho, que liderou a banda AbradOs Zoio e atualmente apresenta, em carreira solo, um show em homenagem a Chico Buarque.

 

Segundo conta, a ligação dele com a música de Benito começou ainda na infância, pois seus pais sempre ouviram o sambista em casa. Na idade adulta, e já dedicado à música, Yuri cantou Benito em canjas e fez até uma versão rockeada de “Retalhos de Cetim” – que ele considera uma das músicas mais bonitas da MPB – com o AbradOs Zoio. “Ele é um dos maiores sambajazzistas do país, um cara que consegue segurar, no piano, a onda do jazz no samba. Isso é uma contribuição tremenda para a música brasileira. Tenho profundo respeito por essa figura, com quem ainda tenho muito a aprender”, diz.

 

A sambista Polyana Resende é outra artista da nova safra paraibana que estende o tapete vermelho para Benito Di Paula. Pernambucana radicada em João Pessoa desde 2002, Polyana vem expandindo a sua presença na cena cultural da capital, especialmente no meio do samba – gênero que sempre curtiu e no qual enveredou nos últimos dez anos. “Benito tocou muito nas festas da minha família, é um grande artista e uma forte referência para mim, faz parte do meu repertório” diz ela, para quem o cantor e compositor é um dos mestres da música brasileira. “Quando ele surgiu, causou estranhamento aos puristas da época, por causa do piano. Mas eu o vejo como um artista de vanguarda, por abrir possibilidades que enriquecem o samba e por ter uma forma de compor muito própria”, defende.

 

Reinventor do samba – “Adoro Benito. Acho que já fui a uns sete shows dele”, começa dizendo o cantor e compositor Chico Limeira, cujas raízes estão em uma família que respira música. Ganhador das duas edições do Festival de Música da Paraíba e criador do que ficou conhecido como “subversamba” (um tipo de samba que tem mais som de teclado e guitarra do que de cavaquinho e percussão), Chico tem uma lembrança emocionante com Benito Di Paula. “Eu e meu irmãos levamos a minha avó para um show dele na Boate da Caixa. Ela quase não saía, mas gostava muito dele, então nós a levamos. Foi um momento muito bom, muito divertido, realmente especial. Como ela não está mais conosco, eu sempre me emociono quando me lembro dessa história”, conta.

 

Da mesma geração de Chico vem Titá Moura, outro cantor e compositor que desponta no fértil cenário musical paraibano e que cresceu em meio às atividades culturais nas quais os seus pais, ambos jornalistas, sempre estiveram envolvidos. Embora admita que não tem Benito como fonte, Titá reconhece a sua importância para a evolução do samba e reclama para ele o mesmo reconhecimento que tiveram os seus contemporâneos da Bossa Nova, famosos por reinventarem o samba moderno. “Ele imprimiu um balanço próprio, uma síntese possível entre a densidade do piano e a leveza lírica do samba-canção”, avalia.

 

Benito Di Paula iniciou a carreira como crooner nas noites cariocas e paulistas, nos anos 1960. Em 1971, o seu primeiro disco, intitulado apenas “Benito Di Paula”, foi censurado por trazer a música “Apesar de Você”, de Chico Buarque. O sucesso veio somente com o terceiro disco, “Um Novo Samba”, que estourou com a música “Retalhos de Cetim”. A partir de então, foram vários anos lotando shows, tocando nas rádios e vendendo discos – ele fica atrás apenas de Roberto Carlos, Nelson Gonçalves e Teixeirinha, em número de vendagem. Autodidata, Benito toca piano e cravo, compõe, escreve poesias e será sempre conhecido por ter inventado um estilo que combina o samba tradicional com o piano, em arranjos românticos e jazzísticos

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